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Parque no interior de SP dois novos besouros e inseto visto apenas uma vez em 60 anos

Olivensa ferreirensis Gabriel Biffi e Antonio Santos-Silva Um levantamento realizado no Parque Estadual de Porto Ferreira, no interior de São Paulo, revelou um...

Parque no interior de SP dois novos besouros e inseto visto apenas uma vez em 60 anos
Parque no interior de SP dois novos besouros e inseto visto apenas uma vez em 60 anos (Foto: Reprodução)

Olivensa ferreirensis Gabriel Biffi e Antonio Santos-Silva Um levantamento realizado no Parque Estadual de Porto Ferreira, no interior de São Paulo, revelou uma diversidade de besouros que surpreendeu os cientistas. O estudo registrou 101 espécies de besouros-serra-pau, da família Cerambycidae, incluindo duas espécies inéditas para a ciência, sete registradas pela primeira vez no estado e uma espécie conhecida apenas por um único exemplar coletado há mais de 60 anos. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram A pesquisa representa o primeiro inventário abrangente desse grupo de insetos realizado no parque. Ao longo do estudo, os pesquisadores analisaram 349 exemplares coletados em diferentes áreas da unidade de conservação, que abriga remanescentes de cerrado, mata ciliar e floresta estacional semidecidual. Uma das espécies descobertas e nunca antes descritas recebeu o nome de Olivensa ferreirensis, em referência a Porto Ferreira, município onde foi encontrada pela primeira vez. A outra foi batizada de Eclipta migueli, em homenagem ao entomólogo Miguel Ángel Monné, uma das principais referências mundiais no estudo dos besouros-serra-pau. Segundo o biólogo, entomologista e um dos autores do estudo, Gabriel Biffi, o trabalho começou durante pesquisas com outro grupo de besouros em unidades de conservação. Durante as coletas, os pesquisadores encontraram espécies raras de besouros-serra-pau e perceberam que o parque poderia guardar uma diversidade inesperada. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: BUTANTAN: Estudo inédito desvenda os genes do veneno da jararaca-ilhoa FLAGRANTE: Onça-pintada é flagrada à espreita de capivara em plena luz do dia no Pantanal DESCOBERTA: Após 12 anos de mistério, cientistas identificam planta inédita no Brasil Eclipta migueli Gabriel Biffi e Antonio Santos-Silva Como foi feita a identificação? Identificar uma nova espécie não acontece no momento da coleta. De acordo com o entomólogo, o processo exige um trabalho detalhado de comparação entre os exemplares encontrados e registros científicos já existentes. Os pesquisadores analisaram características morfológicas — físicas do organismo — dos insetos e compararam os exemplares coletados com materiais depositados em coleções biológicas de besouros do Brasil e do exterior. Somente após esse processo eles constataram que os exemplares não correspondiam a nenhuma espécie conhecida. “Coleções biológicas funcionam como verdadeiras bibliotecas da biodiversidade. Quando comparamos os exemplares coletados com materiais de referência, percebemos que eles eram diferentes de todas as espécies descritas até então”, explica. Afinal, esse grupo de besouros é praga? Embora algumas espécies de besouros-serra-pau sejam conhecidas por causar prejuízos em plantações, a maior parte delas desempenha funções ecológicas importantes nos ambientes naturais. Apesar de os besouros da família Cerambycidae serem popularmente conhecidos como besouros-serra-pau por causa do hábito de algumas espécies de cortarem os galhos das plantas onde depositam seus ovos, esse comportamento ocorre em apenas cerca de 5% das espécies do grupo. A grande maioria apresenta hábitos diferentes. As espécies consideradas pragas representam menos de 3% das mais de 36 mil espécies de Cerambycidae conhecidas no mundo, o que mostra que associar esse grupo apenas a prejuízos agrícolas é um equívoco. Durante a fase larval, muitos desses insetos vivem em troncos e galhos em decomposição, contribuindo para a reciclagem da matéria orgânica e para a ciclagem de nutrientes da floresta. O pesquisador ressalta que ainda se sabe pouco sobre a biologia da maioria das espécies brasileiras do grupo, incluindo as recém-descobertas. Veja o que é destaque no g1: Agora no g1 "Não é possível afirmar ainda qual é o papel ecológico dessas novas espécies ou se elas poderiam se tornar pragas em determinadas condições. Existe uma grande lacuna de conhecimento sobre a diversidade de besouros no país", diz. Entretanto, ele afirma que algumas espécies de besouros-serra-pau podem se tornar pragas agrícolas quando há distúrbios ambientais, fazendo com que precisem buscar alimento em plantações. Parque ainda pode esconder mais espécies Parque Estadual de Porto Ferreira Gabriel Biffi Os pesquisadores acreditam que a diversidade encontrada representa apenas parte das espécies que vivem na área protegida. Novas espécies continuam sendo registradas a cada expedição de campo, indicando que a fauna local pode ser ser ainda mais rica do que a já documentada. O inventário registrou um número expressivo de espécies para uma área relativamente pequena e cercada por zonas urbanas e agrícolas. As 101 espécies identificadas correspondem a cerca de 7% de todos os besouros-serra-pau conhecidos no estado de São Paulo. Para os cientistas, os resultados reforçam a importância do Parque Estadual de Porto Ferreira não apenas para a conservação da fauna e da flora, mas também como um laboratório natural para a descoberta de novas espécies. O trabalho foi conduzido pelos pesquisadores Antonio Santos-Silva e Gabriel Biffi, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP). Gabriel, ferreirense, também é pesquisador do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e do Instituto Nacional de Coleoptera (INCol), uma rede nacional dedicada ao estudo dos besouros. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente